“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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24 de out de 2013

ANÁLIA FRANCO - Arte Tumular - 908 - Cemitério da Consolação, São Paulo, Brasil








ARTE TUMULAR
Base tumular em granito escuro polido. Na cabeceira tumular ergue-se uma escultura de um anjo alado em mármore branco tocando uma lira que carrega nos braços, representando a anunciação da ressurreição.
Local:Cemitério da Consolação, São Paulo, Brasil
 Quadra 62 - Terreno 19
Fotos: sincromicidade.wordpress.com.br
Descrição tumular: Helio Rubiales
PERSONAGEM
Anália Franco Bastos, mais conhecida como Anália Franco (Resende, 10 de fevereiro de 1856 — São Paulo, 20 de janeiro de 1919), foi uma professora, jornalista, poetisa e filantropa brasileira.
Fundou mais de setenta escolas e mais de uma vintena de asilos para crianças órfãs. Na cidade de São Paulo, fundou uma importante instituição de auxílio a mulheres e a região, antes afastada do centro, é hoje o bairro Jardim Anália Franco.
Morreu aos 62 anos de idade.

BIOGRAFIA
O seu nome de solteira era Anália Emília Franco. Após o seu matrimónio com Francisco Antônio Bastos, o seu nome passou a Anália Franco Bastos.
Diplomada como Normalistas, aos 16 anos de idade, em 1872, num concurso promovido pela Câmara de São Paulo, logrou a aprovação para exercer o cargo de professora primária. À época, acabara de entrar em vigor a Lei do Ventre Livre no país (1871) e, tendo tomado conhecimento de que os nascituros de escravas estavam a ser encaminhados à roda dos expostos na Santa Casa de Misericórdia, Anália mobilizou-se, usando o seu talento de escritora para dirigir-se às esposas dos fazendeiros e trocou o seu cargo na capital paulista por outro, no interior, a fim de socorrer as crianças necessitadas.
Graças à ajuda de uma dessas fazendeiras, num bairro de uma cidade no norte do estado de São Paulo obteve uma casa para instalar uma escola primária. Tendo a fazendeira lhe imposto a condição de segregação entre crianças brancas e afro-descendentes para a cessão gratuita do imóvel, Anália recusou-a terminantemente, passando a pagar um aluguel. Nessa primeira "Casa Maternal", passou a receber as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou recolhidas nos caminhos da região. A fazendeira, ressentida com a altivez da jovem professora e vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue, recorreu ao prestígio do marido (um "coronel"), e este obteve a remoção de Anália. Indo para a cidade, alugou uma velha casa, consumindo com essa despesa a metade do seu salário. Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, não hesitou em ir pessoalmente pedir esmolas para prover as crianças, que referia carinhosamente em seus escritos como os "meus alunos sem mães". Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública, havia um pequeno "abrigo" para as crianças desamparadas. Embora essas práticas chocassem o setor conservador da cidade, Anália obteve o apoio de um grupo de abolicionistas e republicanos.
Desse modo, ao longo do tempo, tendo implantado algumas escolas maternais no interior do estado, voltou para a capital paulista, ainda com o apoio do grupo abolicionista e republicano. O seu prestígio no seio do professorado já era grande quando finalmente foi decretada a abolição da escravatura (1888) e a República (1889). O advento dessa nova era encontrou Anália com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos. A sua preocupação com as crianças desamparadas, levou-a a fundar uma revista própria, intitulada "Álbum das Meninas", cujo primeiro número veio a público a 30 de abril de 1898. O artigo de fundo desse número inaugural tinha o título "Às mães e educadoras".
Pouco depois, com o apoio de vinte senhoras, fundou o instituto educacional que se denominou "Associação Feminina Beneficente e Instrutiva", a 17 de novembro de 1901, no Largo do Arouche. A Associação Feminina mantinha ainda um bazar na rua do Rosário nº 18, para a venda dos artefatos produzidos nas suas oficinas, e uma sucursal desse estabelecimento na Ladeira do Piques nº 23.
Em seguida criou várias "Escolas Maternais" e "Escolas Elementares", instalando, com inauguração solene a 25 de janeiro de 1902, o "Liceu Feminino", destinado a instruir e preparar professoras para a direção daquelas escolas, com o curso de dois anos para as professoras de "Escolas Maternais" e de três anos para as de "Escolas Elementares".
No curso de sua atuação publicou numerosos folhetos e opúsculos referentes aos cursos ministrados em suas escolas, e tratados sobre a infância, nos quais as professoras encontraram meios de desenvolver as faculdades afetivas e morais das crianças, como parte do processo pedagógico. O seu opúsculo "O Novo Manual Educativo", era dividido em três partes: Infância, Adolescência e Juventude.
Em 1 de dezembro de 1903, passou a publicar "A Voz Maternal", revista mensal com a tiragem de 6.000 exemplares - expressiva à época -, impressa em oficinas próprias.
Anália Franco mantinha Escolas Reunidas na capital e Escolas Isoladas no interior do estado, Escolas Maternais, Creches na capital e no interior do estado, bibliotecas anexas às escolas, Escolas Profissionais de Arte Tipográfica, Curso de Escrituração Mercantil, Prática de Enfermagem e Arte Dentária, de Línguas (francês, italiano, inglês e alemão); Música, Desenho, Pintura, Pedagogia, Costura, Bordados, Flores Artificiais e Chapéus, num total de 37 instituições.
A sua produção literária compreendeu ainda três romances: "A Égide Materna", "A Filha do Artista", e "A Filha Adotiva", além de numerosas peças teatrais, diálogos e várias poesias, destacando-se "Hino a Deus", "Hino a Ana Nery", "Minha Terra", "Hino a Jesus" e outros.
Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a "Chácara Paraíso", 75 alqueires de terra, parte matas e capoeiras e o restante benfeitorias diversas, entre as quais um velho solar, que havia pertencido a Diogo Antônio Feijó. Nesse espaço fundou a "Colônia Regeneradora D. Romualdo", aproveitando o casarão, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali sob direção feminina, os rapazes mais aptos para a agricultura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda moças desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres.
Ao final da vida, Anália Franco constituiu 71 Escolas, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dramático, além de oficinas para manufatura em 24 cidades do interior e da capital.
MORTE
Veio a falecer vitimada pela gripe espanhola quando havia tomado a deliberação de viajar até ao Rio de Janeiro fundar mais uma instituição, projeto que viria a ser materializado por seu esposo, com a fundação do "Asilo Anália Franco".
Fonte: pt.wikipedia.org
Formatação: Helio Rubiales

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