“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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14 de jan de 2010

JOSÉ DE ANCHIETA - Arte Tumular - 333 - Pateo do Collegio, São Paulo, Brasil

Fêmur


Fêmur 
Interior

Entrada do oratório

ARTE TUMULAR
ORATÓRIO DE ANCHIETA
Dentro da capela, ergue-se o oratório dedicado a memória do Padre José de Anchieta. Retabulo de madeira com decorações esculpidas em madeira. No centro um quadro representando o padre. Na frente do oratório dentro de uma vitrine de vidro está o fêmur de Anchieta. Do outro lado do oratório, também dentro de uma vtrine de vidro está o manto que pertenceu a ele. As duas relíquias estãoi historiadas abaixo.

Manto

HISTÓRIA DA RECUPERAÇÃO DAS RELÍQUIAS
FÊMUR
Em 1609, doze anos após a morte de Anchieta, seus restos mortais foram exumados da Igreja de Santiago, em Vitória do Espírito Santo e transladados para a Catedral de Salvador na Bahia. Por ordem do Superior Geral da Companhia de Jesus, o fêmur foi transferido em 1610 para Roma onde permaneceu durante três séculos e meio. Após a instituição do "Dia de Anchieta", em 1965, a ser comemorado em todo o território nacional em 9 de junho, data do seu falecimento, foi providenciada a restituição da relíquia ao Brasil, exposta no Pateo do Collegio em São Paulo.
BAÚ E MANTO
Em 1760, foi enviado para Portugal um baú de jacarandá contendo ossos humanos e um manto de tecido castanho claro que teriam sido do Beato José de Anchieta. Em 1964, o baú foi encontrado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fato amplamente divulgado e discutido na imprensa portuguesa da época. Solicitado a Portugal desde 1971, o Governo de São Paulo conseguiu finalmente o retorno do baú com os ossos e o manto no final da década de 80. Este passou a ficar exposto na Capela de Anchieta, no Pateo do Collegio. Inteiramente restaurado, o manto que pertenceu a Anchieta e o fêmur passaram a integrar o Oratório dedicado a Anchieta.


Pateo do Collegio
LOCAL: Pateo do Collegio, São Paulo, Brasil (Pateo do Collegio: grafia original)
Fotos: M.A.Rossete (itanhaemvirtual.com.br)
Descrição tumular: Helio Rubiales
PERSONAGEM
José de Anchieta (San Cristóbal de La Laguna, 19 de março de 1534 — Iriritiba, 9 de junho de 1597) foi um padre jesuíta espanhol, um dos fundadores de São Paulo e declarado beato pelo papa João Paulo II. É cognominado de Apóstolo do Brasil.
Morreu aos 63 anos de idade.
BIOGRAFIA
INFÂNCIA
Nascido na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, era filho de Juán López de Anchieta, um revolucionário que tomou parte na revolta dos Comuneros contra o Imperador Carlos V na Espanha e um grande devoto da Virgem Maria. Descendia da nobre família basca Anchieta (Antxeta).
Sua mãe chamava-se Mência Dias de Clavijo e Larena, natural das Ilhas Canárias, filha de judeus cristãos-novos. O avô materno, Sebastião de Larena, era um judeu convertido do Reino de Castela.
Dos doze irmãos, além dele abraçaram o sacerdócio Pedro Núñez e Melchior.
JUVENTUDE
Anchieta viveu com a família até aos quatorze anos de idade, quando se mudou para Coimbra, em Portugal, onde foi estudar Filosofia no Colégio das Artes, anexo à Universidade de Coimbra. A ascendência judaica foi determinante para que o enviassem para estudar em Portugal, uma vez que na Espanha, à época, a Inquisição era mais rigorosa. Ingressou na Companhia de Jesus em 1551, como irmão.
ATUAÇÃO NO BRASIL
Tendo o padre Manuel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil, solicitado mais braços para a atividade de evangelização do Brasil (mesmo os fracos de engenho e os doentes do corpo), o Provincial da Ordem, Simão Rodrigues, indicou, entre outros, José de Anchieta.
Anchieta, que padecia de "espinhela caída", chegou ao Brasil em 13 de junho de 1553, com 19 anos de idade, com outros padres como o basco João de Azpilcueta Navarro. Noviço, veio na armada de Duarte Góis e só mais tarde conheceria Manuel da Nóbrega, de quem se tornaria particular amigo. Nóbrega lhe deu a incumbência de continuar a construção do Colégio e foi a partir do Colégio, que Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi e compondo a primeira gramática da língua geral.
FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO
No seguimento da sua ação missionária, participou da fundação, no planalto de Piratininga, do Colégio de São Paulo, do qual foi regente, embrião da cidade de São Paulo, junto com outros padres da Companhia, em 25 de janeiro de 1554. Esta povoação contava, no primeiro ano da sua existência com 130 pessoas, das quais 36 delas haviam recebido o batismo.
O religioso cuidava não apenas de educar e catequizar os indígenas como também de defendê-los dos abusos dos colonizadores portugueses que queriam não raro escravizá-los e tomar-lhes as mulheres e filhos.
Esteve em Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, na quaresma que antecedeu a sua ida à aldeia de Iperoig, juntamente com o padre Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba (Armistício de Iperoig).
Nesse período, intermediou as negociações entre os portugueses e os indígenas reunidos na Confederação dos Tamoios, oferecendo-se Anchieta como refém dos Tamoios em Iperoig, enquanto o padre Manuel da Nóbrega retornou a São Vicente juntamente com Cunhambebe (filho) para ultimar as negociações de paz entre os indígenas e os portugueses.
Durante este tempo em que passou entre os gentios compôs o "Poema à Virgem". Segundo uma tradição, teria escrito nas areias da praia e memorizado o poema, e apenas mais tarde, em São Vicente, o teria trasladado para o papel. Ainda segundo a tradição, foi também durante o cativeiro que Anchieta teria em tese "levitado" entre os indígenas, os quais, imbuídos de grande pavor, pensavam tratar-se de um feiticeiro.
Lutou contra os franceses estabelecidos na França Antártica na baía da Guanabara; foi companheiro de Estácio de Sá, a quem assistiu em seus últimos momentos (1567).
Em 1566 foi enviado à Capitania da Bahia com o encargo de informar ao governador Mem de Sá do andamento da guerra contra os franceses, possibilitando o envio de reforços portugueses ao Rio de Janeiro. Por esta época foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade.
Após a expulsão dos franceses da Guanabara, Anchieta e Manuel da Nóbrega instigaram o Governador-Geral Mem de Sá a prender em1559 um refugiado huguenote, o alfaiate Jacques Le Balleur, e a condená-lo à morte por professar "heresias protestantes". Em 1567,Jacques Le Balleur foi preso, e conduzido ao Rio para ser executado, mas o carrasco recusou-se a executá-lo. Diante disso, Anchieta o teria estrangulado com suas próprias mãos. O episódio é contestado como apócrifo pelo maior biógrafo de Anchieta, o padre jesuíta Hélio Abranches Viotti, com base em documentos que, segundo o autor, contradizem a versão.
Dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro por três anos, de 1570 a 1573. Em 1569, fundou a povoação de Iritiba ou Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo.
Em 1577 foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587 a seu próprio pedido. Retirou-se para Reritiba, mas teve ainda de dirigir o Colégio do Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595 obteve dispensa dessas funções e conseguiu retirar-se definitivamente para Reritiba onde veio a falecer, sendo sepultado em Vitória.
Fonte: pt.wikiprdia.org
Formatação e pesquisa: Helio Rubiales

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