“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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30 de dez de 2009

MARIA FEODOROVNA ROMANOVA-Arte Tumular - 326-Petropavlovskaya Krepost , São Petersburgo, Russian Federation



Túmulo



Placa com o nome e datas










Esquife em Copenhage


Catedral Pedro e Paulo

ARTE TUMULAR
Base tumular retangular em mármore com cerca de 1,20 cm de altura, em estilo reto. Tampo com as laterais facetados com uma cruz ortodoxa na parte central. Em cada canto alegorias florais. Na parte frontal do túmulo, uma placa identificatória (lápide), com o seu nome e datas (informações russas afirmam que a placa é de ouro). Todo o perímetro tumular é ladeado por um gradil de bronze com outra placa identificatória com o seu nome.
LOCAL: Petropavlovskaya Krepost ,São Petersburgo, São Petersburgo Federal City, Russian Federation
Fotos:
Descrição Tumular:HRubiales
PERSONAGEM
Maria Feodorovna
A Princesa Dagmar da Dinamarca (nome completo: Maria Sofia Frederica Dagmar; (Copenhaga, 26 de Novembro de 1847- Hvidøre, 13 de Outubro de 1928) foi Imperatriz Consorte da Rússia. Foi a segunda filha do rei Cristiano IX da Dinamarca e da sua esposa Luísa de Hesse-Kassel e, por isso, irmã mais nova da futura rainha da Inglaterra, a Princesa Alexandra, esposa do rei Eduardo VII.
Morrreu aos 80 anos de idade
Depois do seu casamento com o futuro Imperador Alexandre III da Rússia, tornou-se Imperatriz Consorte e mudou o nome para Maria Feodorovna Romanova (em russo Mapия Фёдopoвна Романова). Entre os seus filhos encontrava-se o último Czar da Rússia, Nicolau II que acabou por ser assassinado 10 anos antes da sua própria morte.
BIOGRAFIA
Nascimento e Família
A Princesa Maria Sofia Frederica Dagmar da Dinamarca recebeu o seu nome da Rainha Maria Sofia Frederica de Hesse-Kassel (1767-1852). O seu pai tornou-se rapidamente herdeiro do trono dinamarquês em grande parte devido aos direitos de sucessão da sua esposa que era sobrinha do rei Cristiano VIII.
Nascida em Copenhaga dentro de uma linha de sucessão relativamente improvisada e recente, Maria foi baptizada na Religião Luterana. O seu pai tornou-se rei da Dinamarca em 1863 após a morte do rei Frederico VII. Devido às excelentes uniões dos seus filhos, Cristiano IX ficou conhecido como o “sogro da Europa”.
Maria tinha dois irmãos (Frederico e Jorge) e uma irmã (Alexandra) mais velhos, bem como uma irmã (Thyra) e um irmão (Valdemar) mais novos. O seu irmão Frederico foi rei da Dinamarca de1906 até à sua morte em 1912. A sua irmã Alexandra casou-se com o rei Eduardo VII e foi rainha da Inglaterra de 1901 a 1910. O seu irmão Jorge foi escolhido pelo governo e população da Grécia para rei em 1906. Os seus irmãos mais novos tiveram casamentos menos espalhafatosos com o Príncipe Herdeiro de Hanover e Maria de Orleães respectivamente.
NOIVADO E CASAMENTO
O fortalecimento da ideologia Eslavista no Império Russo em meados do século XIX levou o Czar Alexandre II a procurar uma noiva para o seu filho mais velho, Nicolau, fora de estados alemães que tinham sido a principal fonte de imperatrizes em anos anteriores. Em 1864, Nicolau (conhecido por “Nixa” na família) foi até à Dinamarca onde se apaixonou e ficou noivo da Princesa Maria. No dia 22 de Abril de1865 ele acabou por morrer subitamente de Tuberculose e, como último desejo, pediu que Maria se casasse com o seu irmão mais novo, Alexandre que se tornaria mais tarde no Czar Alexandre III da Rússia.
Maria foi muito afectada pela morte repentina do seu jovem noivo e regressou de coração partido àDinamarca onde os seus parentes se mostraram verdadeiramente preocupados com a sua saúde. Ela já se tinha aficionado à Rússia e o remoto país não lhe saía do pensamento nos longos dias que passou na sua terra natal. O desastre da morte de “Nixa” fez com que ela se tornasse muito próxima dos seus pais, os imperadores da Rússia, e chegou mesmo a receber uma carta de Alexandre II onde ele a tentava consolar. O czar disse-lhe, em palavras afectuosas que esperava que ela ainda se considerasse um membro da família.
Em Junho de 1866, durante uma visita a Copenhaga, o Czarevitch Alexandre Alexandrovich pediu-a em casamento depois de ambos terem ficado durante longas horas sozinhos numa sala a ver velhas fotografias.
Maria deixou Copenhaga no dia 1 de Setembro de 1866. O famoso escritor Hans Christian Andersen encontrava-se entre os milhares de pessoas que se foram despedir da sua Princesa ao porto da cidade. O escritor escreveu no seu diário:
A jovem princesa dinamarquesa foi recebida calorosamente em Kronstadt pelo ImperadorAlexandre II da Rússia e toda a sua família. Recebeu imediatamente o título de Grã-Duquesa Maria Feodorovna da Rússia.
O luxuoso casamento decorreu no dia 9 de Novembro de 1866 na Capela Imperial do Palácio de Inverno em São Petersburgo. Depois da primeira noite de casamento, o futuro czar Alexandre IIIescreveu no seu diário:
Depois de muitas festas de casamento em São Petersburgo, o jovem casal instalou-se no Palácio de Anichkov também na cidade onde passariam os 15 anos seguintes. Os verões eram passados no Palácio de Livadia, na Crimeia.
VIDA NA RUSSIA
Maria Feodorovna era bonita e popular e deixou uma boa impressão imediata entre os círculos da Corte Russa onde se adaptou rapidamente. Desde cedo marcou como prioridade principal aprender a língua russa e tentou compreender o seu povo. Era raro interferir na vida política do país, deixando esses assuntos para o marido enquanto se dedicava aos seus trabalhos de caridade, à vida social e à sua família. A única excepção que fazia a esta regra era para demonstrar os seus sentimentos anti-germânicos que tinha adquirido quando o recém-criadoImpério Alemão anexou inapropriadamente territórios dinamarqueses.
Na manhã do dia 13 de Março de 1881, o czar Alexandre II, de 62 anos, foi morto por uma bomba quando regressava ao Palácio de Inverno após uma parada militar. No seu diário, Maria Feodorovna descreveu, mais tarde, como o czar gravemente ferido foi levado até ao palácio:
O imperador viria a morrer algumas horas mais tarde. Apesar de a população não gostar particularmente no novo czar, adoravam a sua esposa.
No entanto ela não ficou particularmente feliz com o seu novo estatuto e escreveu no seu diário:
Alexandre e Maria foram coroados no Kremlin de Moscovo no dia 27 de Maio de 1883. Apenas algumas horas antes da cerimónia tinha sido descoberta uma tentativa de conspiração que ensombrou as celebrações. Mesmo assim cerca de 8000 convidados apareceram à resplandecente cerimónia.
Devido às muitas ameaças contra o czar e Maria, o chefe da polícia de segurança, o General Cherevin, sugeriu que a família imperial se deslocasse da sua residência em São Petersburgopara o Palácio de Gatchina em Czarskoe Selo, uma localização mais segura a cerca de 50 quilómetros da capital. O enorme palácio tinha 900 divisões e foi construído pela CzarinaCatarina II da Rússia. Os Romanov seguiram o conselho e viveram lá durante 13 anos sendo aí que os seus filhos passaram grande parte da sua infância e juventude.
Sob a vigilância pesada da guarda, Alexandre III e Maria faziam viagens periódicas entre Gatchina e a capital para participar em eventos oficiais. Maria adorava organizar grandes bailes no Palácio de Inverno e, quando não se podia deslocar a São Petersburgo, transferia as festividades para Czarskoe Selo. Alexandre tinha o costume de animar os bailes da esposa com os seus números musicais que executava com a ajuda dos primos embora, na maioria das vezes, acabasse por os dispensar para actuar sozinho. Quando isso acontecia, Maria sabia que a festa tinha acabado.
Durante o reinado de Alexandre III, os opositores à monarquia desapareceram rapidamente, perecendo às ordens do czar. Um grupo de estudantes que tinha planeado o seu assassinato no sexto aniversário da morte do pai, na Catedral da Fortaleza de Pedro e Paulo emSão Petersburgo foi preso e mais tarde executado. Entre eles encontrava-se o irmão mais velho de Vladimir Lenine, Alexandre, e foi a sua morte que motivou o futuro líder soviético a desenvolver os seus esforços para preparar uma revolução contra o regime que se concretizaria em 1917.
MORTE DO MARIDO E REINADO DO FILHO
Quando a irmã mais velha de Maria, Alexandra, visitou Gatchina em Julho de 1894, ficou surpreendida ao ver o fraco aspecto do seu cunhado Alexandre. Parecia que tinha encolhido. A cor das suas bochechas tinha desaparecido e já não tinha o mesmo humor. Na altura Maria já sabia há muito que o seu marido estava doente e que não tinha muito mais tempo de vida. Agora as suas atenções estavam centradas no seu filho mais velho, Nicolau, uma vez que era nele que recaiam tanto o futuro do país como o da sua família e dinastia. Há muito tempo que o futuro czar demonstrava a sua intenção de se casar com a Princesa Alice de Hesse-Darmstadt, uma princesa alemã. Nem Alexandre III nem ela aprovavam esta união. Nicolau resumiu a situação no seu diário:
Maria e Alexandre achavam Alice tímida e um tanto peculiar. Preocupavam-se com o facto de ela não demonstrar de todo ter o perfil certo para se tornar Imperatriz da Rússia. Eles já a conheciam desde criança e tinham ficado com a impressão de que ela era histérica e pouco equilibrada emocionalmente. Quando perceberam que não conseguiam fazer o filho mudar de ideias e a morte de Alexandre se tornava evidente, permitiram relutantemente o casamento.
No dia 1 de Novembro de 1894, Alexandre III morreu com apenas 49 anos em Livadia.
Durante algum tempo Maria ficou inconsolável. A sua irmã Alexandra e o cunhado Eduardo chegaram à Rússia poucos dias depois. O Príncipe de Gales planeou o funeral de Alexandre e também arranjou uma data para o casamento da sua sobrinha Alice (que tinha mudado o nome para Alexandra depois de se converter à Igreja Ortodoxa) e do sobrinho e novo Czar,
O Príncipe Félix Yussupov, casado com a Princesa Irina Alexandrovna, uma das suas netas, notou na influência que a Imperatriz viúva tinha dentro da família Romanov. Sergei Witte, Primeiro-Ministro do filho, elogiou as suas capacidades diplomáticas. Apesar de tudo ela nunca se deu bem com a sua nora Alexandra Feodorovna que culpou por muitos dos problemas do desastroso reinado do seu filho Nicolau.
Assim que aceitou a morte de Alexandre III, Maria voltou à sua personalidade vivaz e via o futuro com confiança, escrevendo no seu diário: “Tudo vai correr bem.”
Ela tinha vivido durante 28 anos na Rússia, incluindo os 13 anos em que fora imperatriz, e ainda a esperavam outros 34 como viúva e mãe do czar. Os seus últimos 10 anos de vida foram passados no exílio. No final de Novembro de 1894, Maria mudou-se novamente para o Palácio de Anichkov em São Petersburgo onde viveria até ao rebentar da revolução de 1917. Aos poucos ela passou a viver mais livremente, uma vez que já não era uma figura central e tinha deixado de ter interesse para os revolucionários.
REVOLUÇÃO E EXÍLIO
A revolução chegou à Rússia em Fevereiro de 1917. Depois de se encontrar com o seu filho que tinha abdicado ao trono em Mogilev, Maria ficou durante algum tempo em Kiev, continuando o seu trabalho com a Cruz Vermelha. Quando se tornou demasiado perigoso continuar lá, foi para a Crimeia com um grupo de outros refugiados Romanov. No Mar Negro chegaram-lhe os rumores de que o seu filho mais velho, a nora e netos tinham sido executados pelos bolcheviques, contudo rejeitou-os, recusando-se a acreditar.
Ela segurou-se firmemente a esta convicção até à sua morte. A verdade era demasiado difícil de aceitar. As cartas que enviou ao filho mais velho e à família perderam-se quase todas, mas numa das que sobreviveu, escreveu a Nicolau:
A filha mais nova de Maria, Olga Alexandrovna, comentou mais tarde sobre o assunto:
Apesar da queda da monarquia em 1917, a imperatriz Maria recusou-se, a princípio, deixar a Rússia. Apenas em 1919, depois dos pedidos da sua irmã Alexandra, decidiu partir, ainda que contrariada, embarcando num barco fornecido pelo seu sobrinho Jorge V do Reino Unido até Londres e, mais tarde, para o seu país natal, a Dinamarca. Até ao final dos seus dias viveu na sua “villa” de férias em Hvidøre, perto de Copenhaga. Apesar de Alexandra se dar bem com a sua irmã e ambas passarem as férias juntas no Reino Unido, Maria achava que tinha sido renegada para o segundo plano.
Na Dinamarca também estavam muitos exilados da Rússia. Para eles, Maria continuava a ser a Imperatriz. As pessoas respeitavam-na muito e valorizavam-na, pedindo-lhe muitas vezes por ajuda.
MORTE
Em Novembro de 1925, a irmã favorita de Maria, a Rainha Alexandra, morreu. o Grão-Duque Alexandre Mikhailovich. No dia 13 de Outubro de 1928, em Hvidøre, Maria morreu aos 80 anos de idade.
Depois dos serviços fúnebres em Copenhaga na Igreja Ortodoxa, a imperatriz foi enterrada na Catedral de Roskilde.
TRANSFERÊNCIA DOS RESTOS MORTAIS
Em 2005, a Rainha Margarida II da Dinamarca e o Presidente Vladimir Putin da Rússia juntamente com os seus respectivos governos decidiram que os restos mortais de Maria Feodorovna pertenciam à Rússia. O seu último desejo de ser enterrada junto do seu marido, Alexandre III na catedral da Fortaleza de Pedro e Paulo realizou-se no dia 28 de Setembro de 2006, 140 anos depois da sua chegada ao país e quase 78 anos depois da sua morte.
Fonte: pt.wikipedia.org
Formatação e pesquisa:HRubiales

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