“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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16 de ago de 2012

ALTAMIRO CARRILHO - Arte Tumular - 802 - Cemitério Municipal de Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro, Brasil






ARTE TUMULAR
Túmulo em granito natural polido em formato retangular e linhas reta. Na cabeceira tumular uma construção em forma de cruz. No tampo central no c terço superior, um crucifixo, seguido de uma placa em bronze com o nome do músico gravado. Na parte lateral um tampo, também em granito, dá acesso ao túmulo.
Local:  Cemitério Municipal de Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro, Brasil
Fotos: Emanuel Messias
Descrição tumular: Helio Rubiales




PERSONAGEM
Altamiro Aquino Carrilho (Santo Antônio de Pádua, 21 de dezembro de 1924 - Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2012) foi um músico, compositor e flautista brasileiro.
Morreu aos 87 anos de idade
SINOPSE ARTÍSTICA
 O flautista se apresentou em mais de 48 países, lançou mais de 112 discos e compôs cerca de 200 músicas. Entre 2009 e 2010, comemorou 68 anos de carreira com o lançamento de três discos, quatro DVDs e um longa-metragem. Acompanhou quase toda a galáxia da MPB com sua flauta: Francisco Alves, Orlando Silva, Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque, Bethânia, Linda e Dircinha Batista, Caubi Peixoto, entre muitos outros.
SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
 Menino ainda, em sua cidade natal, Santo Antônio de Pádua (RJ), tocava uma flautinha de bambu e integrava a Banda Lira de Árion (cujos integrantes eram todos da família), tocando tarol (um tipo de caixa de percussão). Em 1940, mudou-se para Niterói, onde se empregou em uma farmácia. Um dia, Moreira da Silva foi fazer um show ali e mandou procurarem por um flautista. Lembraram do menino que trabalhava na farmácia: Altamiro, então com uns 15 anos. Foi com Moreira que gravou pela primeira vez em disco, pela Odeon. O flautista Benedito Lacerda interessou-se pelo talentoso garoto, e lhe ensinou alguns dos seus segredos: técnica, ritmos, mas também uma iniciação ao mundo dos maxixes, lundus, choros, baiões, valsas. Iniciou-se no regional de César Moreno e no de Canhoto, até organizar o seu próprio. Em 1949, gravou seu primeiro choro, Flauteando na Chacrinha (que, contam, inspiraria o nome do famoso apresentador da TV, Chacrinha). Em 1951, já tendo acompanhado em gravações, na Rádio Mayrink Veiga, astros como Vicente Celestino, Sílvio Caldas e outros, apareceu no filme Mulher do Diabo, de Milo Marbisch. Ainda nos anos 1950, desfrutou popularidade com o programa Em Tempo de Música, na TV Tupi. Nos anos 1960, internacionalizou a carreira, tocando na Inglaterra (onde gravou para a BBC), Alemanha, Líbano, Egito. Chegou a ficar um ano no México.

FASES DA CARREIRA
A carreira de Altamiro alternou fases glamourosas com outras revoltosas. Em 1955, quando seu regional ganhou a TV (a única vez em que o campeão de audiência foi um programa de música brasileira), viveu a glória. Depois, houve um período de desilusão com os rumos da música. Quando o iê-iê-iê e as guitarras elétricas dominaram o cenário, ele chegou a vender 12 de suas 18 flautas e destruir todos os seus troféus. "De 1962 a 1971, o músico brasileiro ficou totalmente relegado. Como muitos dos meus colegas que chegaram a ser até chofer de táxi, eu também procurei emprego numa corretora. Só não comecei o trabalho porque fui desestimulado pelo próprio gerente", contaria, em 1975. Em 1955, ao lançar um dos seus discos mais festejados, Altamiro Carrilho e Sua Bandinha na TV (Copacabana Discos), ele gravou clássicos como Fita Amarela, Tico-Tico no Fubá, Dorinha Meu Amor e Vassourinha, entre outros. E escreveu, nas notas do disco: "E confesso que toquei essas músicas mais de ouvido, mais de memória do que por música, propriamente. Cada uma delas era uma saudade que sonorizava o meu coração, que me distanciava do dever de gravar para o prazer de ouvir. Vi-me dançando com minha namorada ao lado de uma retreta do interior. Vi meu mestre corrigindo erros numa partitura minha". Resistiu sempre ao rock. "Somos formiguinhas lutando contra elefantes. Há muito dinheiro do lado de lá, mas há mais talento do lado de cá", dizia.
MORTE
Morreu aos 87 anos vítima de câncer pulmonar.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Formatação: Helio Rubiales

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