“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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5 de fev de 2010

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO-Arte Tumular-350-Abadia de Fontevraud ,Anjou, França


















ARTE TUMULAR
Assim que se entra pela porta principal da Abadia de Fontevraud, um impressionante silencio tumular paira sobre o vazio existente entre as colunas góticas da nave central. Do outro lado, bem distante, ergue-se sobre uma base de mármore, quatro túmulos da realeza inglesa, entre eles o de Ricardo Coração de Leão (Ricardo I). Perfeitamente conservada uma escultura em tamanho natural do rei em mármore, seguindo o estilo gótico, mantendo a coloração da época. Apresenta-se deitado sobre uma base tumular ricamente decorada, coroado e trajado com as roupas da realeza, com uma das mãos sobre a espada aposta sobre o seu corpo e a outra, também sobre o corpo, ladeando a espada. Com a cabeça ligeiramente elevada sobre uma almofada. A parte inferior do corpo é coberto por um manto. Infelizmente o seus restos mortais não estão mais nesse local. Na ocasião da onda de fanatismo anti-nobreza da Revolução Francesa, o seu corpo foi removido e destruído.
Ao seu lado está o túmulo de Isabella d’Angoulême (1188-1241) esposa do Principe João irmão de Ricardo. Na frente estão os túmulos do pai Henrique II (1133-1189), rei da Inglaterra e da sua mãe, Eleanor d’Aquitaine, rainha da França e Inglaterra.
Disposição dos 4 túmulos
LOCAL: Abadia de Fontevraud ,Anjou, França.
Fotos: berlinghieri.spaces.live.com/blog/cns!40110D5., pt.wikipedia.org, tourfrance.com
Descrição Tumular: Helio Rubiales

PERSONAGEM
Ricardo I (8 de Setembro de 1157 — 6 de Abril de 1199) foi Duque da Aquitânia (1168-1199),Conde de Anjou, Duque da Normandia e Rei de Inglaterra (1189-1199). Ricardo é também conhecido por vários cognomes, entre eles Coração de Leão (Coeur de Lion, Lionheart), Oc et No (sim e não em provençal) e Melek-Ric (Rei-Ric[ardo]) pelos muçulmanos do Oriente Médio, que usavam a sua figura para ameaçar as crianças que se portavam mal. Ricardo foi um dos líderes da Terceira Cruzada e foi na sua época considerado como um herói.
Morreu aos 42 anos de idade.

BIOGRAFIA
Ricardo era o terceiro filho de Henrique II de Inglaterra e Leonor da Aquitânia, depois de Guilherme, Conde de Poitiers, que morreu criança, e Henrique o Jovem. Foi educado essencialmente pela mãe e quando Leonor decidiu separar-se de Henrique II e ir viver em Poitiers no fim da década de 1170, Ricardo acompanhou-a. Enquanto príncipe recebeu uma excelente educação, mas sobretudo voltada para a cultura francesa. Ricardo nunca aprendeu a falar inglês e pouca ou nenhuma importância deu a Inglaterra durante a sua vida. Essa "negligência" beneficiou seu irmão João, que posteriormente, quando de sua ausência, na terceira cruzada, tenta-lhe usurpar o poder. João também é o responsável pela Magna Carta.

Em 1168 tornou-se Duque da Aquitânia em conjunção com Leonor, no âmbito da política de Henrique II em dividir os seus territórios pelos filhos. A medida não obteve os objetivos esperados porque, em 1173, Leonor e Ricardo foram os responsáveis por uma revolta generalizada contra Henrique II que partiu da Aquitânia. O rei controlou os motins no ano seguinte, perdoando a Ricardo e Henrique o Jovem, mas encarcerando Leonor. Talvez por isso e pelo humilhante pedido de desculpas a que foi obrigado, Ricardo nunca se reconciliou totalmente com o pai. Após este episódio, Ricardo teve que lidar ele próprio com diversas revoltas da nobreza da Aquitânia que desejavam vê-lo substituído por um dos irmãos, e que suprimiu com violência.
Com a morte de Henrique o Jovem em 1183, Ricardo torna-se no inesperado sucessor do trono inglês e do Ducado da Normandia. Em 1188, com a relação dos dois que continuava péssima, Henrique II considerou que Ricardo não merecia mais a Aquitânia e tentou entregar este ducado a João Sem Terra, o seu filho mais novo. Ricardo, por sua vez, não gostou de se ver preterido pelo o irmão e preparou-se para defender o seu território, pedindo ajuda a Filipe II de França. Juntos, responderam à invasão das tropas de Henrique II, que acabou por morrer pouco depois de ter sido derrotado numa batalha em 1189.

REI E CRUZADO
Ricardo tornou-se então rei da Inglaterra, duque da Normandia e conde de Anjou, sucedendo ao pai que detestava, sendo coroado em 3 de Setembro, na Abadia de Westminster. Livre para perseguir os seus próprios interesses, Ricardo não permaneceu muito tempo na Inglaterra. Imediatamente após a subida ao trono, começou a preparar a expedição à Terra Santa que seria a Terceira Cruzada. Para tal, não hesitou em esvaziar o tesouro do pai, cobrar novos impostos, vender títulos e cargos por somas exorbitantes a quem os quisesse pagar e até libertar o rei Guilherme I da Escócia dos seus votos de vassalagem por cerca de 10,000 marcos. O único entrave era a ameaça constante que Filipe II de França representava para os seus territórios no continente, e que Ricardo resolveu convencendo-o a juntar-se também à cruzada. A primeira paragem dos cruzados foi na Sicília em 1190, onde Ricardo e Filipe se imiscuíram na política local, saqueando algumas cidades de caminho. É nesta altura e por este motivo que Ricardo compra a inimizade do Sacro Império e nomeia o sobrinho Artur I, Duque da Bretanha como seu herdeiro. Em 1191, Ricardo e o seu exército desembarcam em Chipre devido a uma tempestade. A presença de tantos homens foi considerada uma ameaça pelo líder bizantino da ilha, e em breve os conflitos apareceram. A resposta de Ricardo foi violenta: não só se recusou a partir, como massacrou os habitantes das cidades que lhe resistiram, espalhando a destruição na ilha. Depois do cerco de Cantaras, Isaac Comemnos abdicou e Ricardo tornou-se no dono de Chipre. Foi também neste ano que casou com a princesa Berengária de Navarra, numa união a que nunca ligou e que não produziu descendência. Em Junho de 1191, Ricardo chega à Terra Santa a tempo de aliviar o cerco de Acre imposto por Saladino. Estava já sem aliados, depois de uma série de desavenças com Filipe e o duque Leopoldo V da Áustria. A sua campanha foi um sucesso e granjeou-lhe o estatuto de herói, bem como o respeito dos adversários, mas sozinho com o seu exército não poderia nunca realizar o seu principal objectivo de recuperar Jerusalém para o controle cristão. Além disso, a influência de João na política em Inglaterra e de Filipe II, demasiado próximo agora da Aquitânia e Normandia, obrigavam um urgente regresso à Europa. No Outono de 1192, Ricardo iniciou o caminho de volta, depois de se recusar em ver sequer de longe Jerusalém. Na viagem de regresso, Ricardo reencontrou Leopoldo da Áustria, que não lhe havia perdoado os insultos recebidos em Chipre, foi feito prisioneiro e mais tarde entregue ao imperador Henrique VI do Sacro Império. O seu cativeiro em Dürnstein, na Áustria, não foi severo e durante os quatorze meses em que foi mantido prisioneiro (dezembro de 1192 a 4 de fevereiro de 1194) Ricardo continuou a ter acesso aos privilégios que a sua condição de rei determinava. O seu resgate custou 150 000 marcos ao tesouro de Inglaterra, soma equivalente ao dobro da renda anual da coroa, o que colocou o país na absoluta bancarrota e obrigou a muitos impostos adicionais nos anos seguintes. Como prova de agradecimento a Deus pela sua libertação, Ricardo arrependeu-se publicamente dos seus pecados e foi coroado uma segunda vez. Apesar do esforço do país para o libertar, Ricardo abandonou a Inglaterra de novo ainda no mesmo ano de 1194 para lidar com os problemas fronteiriços com a França nos territórios do continente. Desta vez para não mais regressar.

MORTE
Ricardo morreu como consequência de ferimentos provocados por uma flecha que o atingiu no abdómen em Abril de 1199. O próprio fato de ter sido atingido naquela zona do corpo é revelador da sua personalidade. Se tivesse usado uma armadura nesse dia, não teria morrido. O seu corpo está sepultado na Abadia de Fontevraud, junto de Henrique II de Inglaterra e de Leonor da Aquitânia.

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO IMORTALIZADO EM LIVROS
Ricardo Coração de Leão foi personagem de alguns livros de Sir Walter Scott. Apareceu em O Talismã e em Ivanhoé, sendo imortalizado e tais livros.
Uma ótima biografia sobre Richard Coeur de Lion foi escrita pela medievalista Régine Pernoud que o chama de "O Rei dos Reis da Terra".
Fontes:
pt.wikipedia.org
berlinghieri.spaces.live.com/blog/cns!40110D5...
Formatação e pesquisa:Helio Rubiales

2 comentários:

Anônimo disse...

È realmente imprecionate estou emocionada de ver essas fotos sou uma profunda apaixonada pela história de Ricardo.

Wiliam Rossetti disse...

Grande guerreiro, faltou ter estudado a disciplina dos romanos para a guerra, usar armadura,escudo e elmo é fundamental na guerra!