“MEMENTO, HOMO, QUIíA PULVIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS. ”



ARTE TUMULAR

Existe um tipo de arte que poucas pessoas conhecem, a chamada arte tumular. Deixando-se de lado o preconceito e a superstição, encontraremos nos cemitérios, trabalhos esculpidos em granito, mármore e bronze de personalidades que marcaram época. É um verdadeiro acervo escultórico e arquitetônico a céu aberto, guardando os restos mortais de muitas personalidades imortais de nossa história, onde a morte se torna um grande espetáculo da vida neste lugar de maravilhosas obras de arte e de grande valor histórico e cultural. Através da representação, a simbologia de saudades, amor, tristeza, nobreza, respeito, inocência, sofrimento, dor, reflexão, arrependimento, dá sentido às vidas passadas. No cemitério, a arte tumular é uma forma de cultura preservada no silencio e que não deverá ser temida, mas sim contempladas.



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2 de abr de 2009

RENÉ DESCARTES - Arte Tumular -187- Igreja de São Genevieve-du-Mont em Paris.






Igreja de São Genevieve-du-Mont em Paris

Placa de bronze em Paris


Memorial do século XVIII, na Suécia

Adolf Fredrikskyrkan em Estocolmo.
ARTE TUMULAR
NA SUÉCIA:
Foi sepultado no Cemitério de crianças não batizadas, em Adolf Fredrikskyrkan em Estocolmo. Ainda existe um memorial do século XVIII na parede.
LOCAL: Estocolmo, Suécia
NA FRANÇA:
Seus restos foram levados para a França e enterrados na Igreja de São Genevieve-du-Mont em Paris. Cripta com laje em mármore e placa em bronze imortalizando o seu nome.
LOCAL: Paris, França
Fotos: Lennart Haglund e Mats Andersson(Suécia) e Bas (França)



PERSONAGEM
René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de Março de 1596 — Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1650), também conhecido como Renatus Cartesius (forma latinizada), foi filósofo, físico e matemático francês. Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Por fim, ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica.
Morreu aos 54 anos de idade.

SINOPSE BIBLIOGRÁFICA
Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna - enquanto que décadas mais tarde se assentaria nas Ilhas Britânicas, através de John Locke e David Hume, principalmente, um movimento filosófico que de alguma forma é oposto no qual se convencionou chamar de empirismo.
Cogito, ergo sum.

VIDA
René Descartes nasceu no ano de 1596 em La Haye (hoje Descartes), no departamento francês de Indre-et-Loire. Com oito anos, ingressa no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand emLa Flèche. O curso em La Flèche durava um triênio, tendo Descartes sido aluno do Padre Estevão de Noel, que lia Pedro da Fonseca nas aulas de Lógica, a par dos Commentarii.

Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade, no entanto no seu Discurso sobre o método declara a sua decepção não com o ensino da escola em si mas com o baseado na cultura e tradição que era fundamentalmente escolástico cujo conhecimento científico achava confuso, obscuro e nada prático. Em carta a Mersenne, diz que "os Conimbres são longos, sendo bom que fossem mais breves. Crítica, aliás, já então corrente, mesmo nas escolas da Companhia de Jesus"; Descartes esteve em La Flèche uns nove anos (1606-1615) . "Descartes não mereceu, como se sabe, a plena admiração dos escolares jesuítas, que o consideravam deficiente filósofo". Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em Direitoem 1616 pela Universidade de Poitiers.

No entanto, Descartes nunca exerce o Direito, e em 1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau com a intenção de seguir carreira militar. Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Conheceu então Isaac Beeckman que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae(Compêndio de Música). É nessa época também que escreve Larvatus prodeo (Eu caminho mascarado). Em 1619, viaja até a Alemanha onde no dia 10 de Novembro teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Em 1622, ele retorna à França passando os seguintes anos em Paris.

Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para os Países Baixos onde morou até 1649. Em 1629 começa a redigir o Tratado do Mundo, uma obra de Física, a qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. Porém, em 1633, quando Galileu é condenado pela Inquisição, Descartes abandona seus planos de publicá-lo. Em 1635 nasce Francine, filha de uma serviçal. Ela foi batizada no dia 7 de Agosto de 1635 mas morre precocemente em 1640, o que foi um grande baque para Descartes.

Em 1637, ele publicou três pequenos tratados científicos: A Diótrica, Os Meteoros e A Geometria, mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. Em 1641, aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas. Os autores das objeções são: do primeiro conjunto, o teólogo holandês Johan de Kater; do segundo, Mersenne; do terceiro, Thomas Hobbes; do quarto, Arnauld; do quinto, Gassendi; e do sexto conjunto, Mersenne. Em 1642, a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet. Em 1643, o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht e Descartes começou sua vasta correspondência com Isabel da Boêmia. Descartes publica então Os Princípios da Filosofia, onde resume seus princípios filosóficos que formariam "ciência", e faz uma visita rápida a França em 1644, onde encontra o embaixador da França junto à corte sueca, Chanut, que o põe em contato com a rainha Cristina da Suécia. Nesta ocasião, teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente. Assim, a rotação do Sol, através do éter, criaria ondas ou redemoinhos, explicando o movimento dos planetas, tal qual uma batedeira. O éter também seria o meio pelo qual a luz se propaga, atravessando-o pelo espaço desde o Sol até nós.

Em 1647 ele foi premiado com uma pensão pelo Rei da França e começou a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Ele entrevistou Frans Burman em Egmond-Binnen em 1648, resultando na Conversa com Burman. Em 1649 ele foi à Suécia a convite da Rainha Cristina, e seuTratado das Paixões, que ele dedicou a Princesa Elizabete da Boêmia (com quem tinha uma amizade afetuosa), fora publicado.

MORTE
René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de Fevereiro, 1650 em Estocolmo, Suécia, onde estava trabalhando como professor a convite da Rainha. Acostumado a trabalhar na cama até meio-dia, por ter sofrido com as demandas da Rainha Christina, começavam seus estudos às 5 da manhã. Como um católico num país protestante, ele foi enterrado num cemitério de crianças não batizadas, em Adolf Fredrikskyrkan em Estocolmo. Depois, seus restos foram levados para a França e enterrados na Igreja de São Genevieve-du-Mont em Paris. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca.
Durante a Revolução Francesa seus restos foram desenterrados a fim de serem deslocados para o Panthéon ao lado de outras grandes figuras da França. A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes.
Em 1667, depois de sua morte, a Igreja Católica Romana colocou suas obras no Index Librorum Prohibitorum (Índice dos Livros Proibidos)

Formatação, pesquisa e descrição tumular: HRubiales

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